25 agosto 2011

Intercâmbio coletivo aos Timbira debate política indígena


Está sendo realizado, entre os dias 19 e 26 de agosto, um intercâmbio coletivo da Rede de Cooperação Alternativa (RCA), do qual participam organizações indígenas e indigenistas. Desde 2007 a Rede tem promovido intercâmbios coletivos entre regiões de atuação das organizações. Este é o quarto intercâmbio, que acontece no município de Carolina, no Maranhão, e trouxe diferentes representantes indígenas e indigenistas ao Centro de Ensino e Pesquisa Pënxwyj Hempejxà dos povos Timbira. O objetivo é debater política indígena, e possibilitar a troca experiências entre as organizações membros da RCA e organizações convidadas. Estão presentes cerca de vinte organizações indígenas, além das seis organizações indígenas que formam a RCA.

Foram realizados debates sobre os principais dilemas e possíveis rumos das políticas indígenas. Os temas debatidos dizem respeito a educação, saúde e também à valorização cultural e dos saberes tradicionais, além de proteção e gestão territorial, e do manejo dos recursos naturais de suas terras. A relação das associações representativas com suas comunidades e o papel dessas associações também estiveram no centro dos debates.



Estão presentes o Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina), a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), Hutukara Associação Yanomami (HAY), Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC), Associação Wyty-Catë das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins, Comissão Guarani Yvy-Rupá, Associação dos Povos Indígenas Tiriyó, Kaxuyana e Txikuyana (Apitikatxi), Associação dos Povos Indígenas Wayana e Aparai (Apiwa), além de seis  organizações da Terra Indígena Vale do Javari (AM).
Além das organizações indígenas, participam o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), o Instituto Socioambiental (ISA), e a Comissão Pró-índio do Acre (CPI/AC).

Muitas das associações indígenas existem desde a década de 1990, atuando junto ao governo e instituições parceiras, como porta-vozes de suas comunidades na luta pela demarcação das terras e pelos direitos dos povos que representam. O intercâmbio aos povos Timbira integra o plano de trabalho da RCA de 2011, apoiado pela Rainforest Foundation da Noruega, e é coordenado pela Wyty-Catë e pelo CTI.


Demandas indígenas

Dentre os vários problemas e demandas colocados estão a questão da atuação das organizações indígenas, as responsabilidades de seus dirigentes e suas relações com as comunidades que representam, além dos desafios e impasses relacionados ao diálogo entre a política e as formas de organização próprias de cada povo, e os modelos organizacionais impostos pelo Estado e demais organismos financiadores.

Também foram debatidas questões técnicas relacionadas à gestão administrativa e à dificuldade de garantir autonomia financeira para o fortalecimento das organizações, além da desarticulação entre as organizações locais e regionais com a representação nacional do movimento indígena.

Vitor Mayuruna, membro da Organização Geral dos Mayuruna (OGM), do Vale do Javari, frisou a importância do encontro: “É a segunda vez que participo e fico feliz, pois temos mesmo que trabalhar unidos. É importante conhecermos a realidade de outros povos e as experiências que têm realizado”.
Francisco Piyãko, representante do povo Ashaninka e assessor da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), ressaltou a importância da troca de experiências. “Todo esse trabalho que está sendo feito aqui é fundamental para preparar as comunidades indígenas. Algumas já estão articuladas, mas outras precisam se rearticular e fortalecer sua representação”. Segundo ele, as associações indígenas são uma ferramenta, um instrumento de trabalho, e não um fim em si. Por isso, não deve tomar nenhuma decisão que não tenha sido discutida anteriormente com a comunidade.

Vejo hoje uma evolução do movimento, as comunidades buscando seu espaço, seus projetos, mas é muito complicado e custoso formar uma organização de representação indígena. Por esse motivo, a associação tem que refletir uma necessidade da própria comunidade”, frisou Piyãko.

Um segundo momento deste intercâmbio coletivo compreende uma viagem dos representantes das organizações à aldeia Escalvado, da Terra Indígena Kanela, do povo Canela Ramkokamekra. Cerca de 50 pessoas serão recebidas de terça a quinta-feira (23 a 25/08/11) pela comunidade desta aldeia, onde vivem 1700 pessoas.
Nathália Clark