Governo dá os primeiros passos para a regulamentação do direito de consulta prévia no Brasil
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| foto: Edison Bueno/Funai |
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| foto: Edison Bueno/Funai |
uma rede de cooperação alternativa integrada por Apina, Atix, CPI/AC, CTI, Foirn, Hutukara, Iepé, ISA, Opiac e Wyty-Catë
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Entre
os dias 9 e 12 de outubro de 2011, cerca de 40 representantes de
organizações indígenas e indigenistas participaram, em Brasília – DF, da
oficina-seminário sobre o direito de consulta prévia aos povos
indígenas no Brasil, promovida pela Rede de Cooperação Alternativa -
RCA. Reunindo representantes de 10 organizações indígenas (Atix, Apina,
Arpinsul, CIR, Foirn, Hutukara, Opiac, Oprimt, Wyty-Catë, Comissão Yvy
Rupa) e 5 organizações indigenistas (CTI, CPI-AC, Iepé, ISA, Inesc), a
oficina-seminário contou com o apoio da Embaixada da Noruega no Brasil e
da Rainforest Foundation Noruega, e foi realizada em parceria com a
Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o Ministério Público
Federal (MPF), o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e o Centro
de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (Ceppac) da Universidade
de Brasília.
No
último dia 13 de outubro de 2011, representantes de organizações
indígenas e indigenistas entregaram formalmente ao Governo Federal os
resultados da oficina-seminário sobre o direito Consulta Livre, Prévia e
Informada, promovida pela RCA, e manifestaram que querem participar do
processo de regulamentação deste direito no Brasil.
Os
participantes da oficina da RCA foram recebidos na Secretaria Geral da
Presidência da República, pelo Secretário Paulo Maldos, da Secretaria
Nacional de Articulação Social, em uma audiência que contou com a
presença de representantes de vários ministérios e órgãos federais,
entre eles do Ministério da Justiça, Ministério da Cultura, Ministério
de Minas e Energia, Casa Civil, Secretaria de Direitos Humanos, Seppir,
Funai, Ibama,Dnit, Fundação Palmares, Agência Nacional de Águas e Incra.
A Rede
de Cooperação Alternativa - RCA realiza de 9 a 12 de outubro de 2011,
em Brasília, seu Encontro Temático 2011, intitulado “É possível
consultar os povos indígenas? Oficina-Seminário sobre conteúdo e regras
de aplicação do direito de consulta livre, prévia e informada no Brasil”.
O Encontro, que reunirá representantes indígenas e indigenistas das
organizações que compõem a RCA, além de outras organizações convidadas,
será composto por duas atividades: uma oficina em que se pretende
aprofundar o entendimento desse mecanismo e refletir sobre como este
poderia ser regulamentado no Brasil, e um seminário aberto ao público,
reunindo especialistas do Brasil e da América Latina.
A
consulta prévia é uma obrigação do Estado (tanto do poder executivo,
quanto legislativo) de perguntar, adequada e respeitosamente, aos povos
indígenas sua opinião sobre decisões capazes de afetar suas vidas,
estando prevista tanto na Convenção 169 da OIT, quanto na Declaração da
ONU sobre direitos dos povos indígenas e na Constituição Federal de
1988. Ela tem sido entendida como um direito dos povos indígenas, de
serem consultados de modo prévio, livre e informado, antes que medidas
legislativas e/ou executivas , que tenham impacto sobre suas vidas e
territórios, sejam tomadas.
A oficina da RCA, que será coordenada pelo Instituto Socioambiental (ISA), uma das organizações membro da rede, será focada em quatro grandes temáticas: Âmbito de aplicação e oportunidade
(quais as decisões administrativas e legislativas que devem ser
consultadas? em que momento do processo de tomada de decisão deve ser
feita a consulta?); Sujeitos da obrigação e do direito (quem
está obrigado a realizar a consulta por parte do Estado? e quem pode
ser considerado o interlocutor indígena legitimo no processo? ); Procedimentos de aplicação (quais as regras e parâmetros que deve observar um processo de consulta? ) e Produto ou resultado da consulta (qual o objetivo da consulta? e como incorporar o resultado da consulta no conteúdo final da decisão consultada? ).
O
seminário aberto, que está sendo organizado em parceria com o Instituto
de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Associação Brasileira de
Antropologia (ABA), Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas
(Ceppac, UnB), Instituto Socioambiental (ISA) e Ministério Público Federal (MPF), intitula-se “Subsídios Jurídicos e Antropológicos para a Regulamentação da Consulta Prévia junto a Povos Indígenas no Brasil”.
Ele será realizado no Auditório da Física, na Universidade de Brasília,
no dia 10 de novembro, a partir das 8:30hs. Confira abaixo a
programação do seminário:
Abertura (8hs30min)
Representante da Universidade de Brasília (UnB)
Representante do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
Representante da Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
Representante do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (Ceppac, UnB)
Representante da Rede de Cooperação Alternativa (RCA)
Representante do Ministério Público Federal (MPF)
Representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
1ª Mesa:
Consulta Prévia: Situação e Desafios da Implementação na América Latina (9hs)
Ricardo Verdum (Inesc), coordenação da mesa
Christian Ramos (OIT)
Victor Toleto Llancaqueo (CPPDI, Chile)
Cesar Gamboa (DAR, Peru)
Sarela Paz (CIUDADANIA, Bolívia)
Mario Melo (Rede Jurídica Amazônica, Equador)
Debate (11hs30min às 12hs30min)
2ª Mesa:
Consulta Prévia: Situação e Desafios da Implementação no Brasil (14hs00min)
Biviany Rojas (ISA), coordenação da mesa
Débora Duprat (MPF)
Joênia Wapichana (CIR)
Carlos Frederico Marés de Souza Filho (PUC-Paraná)
Simone Rodrigues Pinto (Ceppac, UnB)
Debate (17hs às 18hs)
O
oficina da RCA será realizada com o apoio da Embaixada da Noruega no
Brasil e da Rainforest Foundation. O seminário aberto conta com apoio e
patrocínio da Organização Internacional do Trabalho, Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento, Fondo para El Logro de los Objetivos de
Desarollo Del Milenio, Fundação Heinrich Boll, Climate and Land Use
Alliance e Escola Superior do Ministério Público da União.
Representantes de diferentes povos reunidos no intercâmbio coletivo da RCA presenciaram a cultura viva dos povos Timbira na aldeia Escalvado, do povo Canela Ramkokamekra
por Nathália Clark
Neste mês de agosto, de 19 a 26, a Rede de Cooperação Alternativa realizará no Centro de Ensino e Pesquisa Timbira Pënxwyj Hempejxà, em Carolina, Maranhão, um intercâmbio coletivo sobre o tema “política indígena”. Com organização do Centro de Trabalho Indigenista, este intercâmbio pretende reunir membros da diretoria de várias organizações indígenas membro da RCA e suas parceiras para discutir política indígena. Entre os temas que estarão sendo debatidos está a questão da atuação das organizações indígenas, suas relações com as comunidades que representam, os desafios e impasses que marcam sua atuação, a formação de novos quadros, o desenvolvimento de projetos. A estimativa é de mais de 50 participantes. O intercâmbio aos Timbira é apoiado pela Rainforest Foundation da Noruega.
No último dia 06 de junho, uma delegação da Rede de Cooperação Alternativa – RCA foi recebida pelo Ministro de Estado da Educação, Fernando Haddad, em audiência no Ministério da Educação, em Brasília. Luiz Brasão (Presidente da FOIRN), Lúcia Alberta Andrade (ISA), Maria Elisa Ladeira (CTI) e Luis Donisete B. Grupioni (Iepé e secretário da RCA) foram acompanhados pelo Deputado Federal Francisco Praciano (PT/AM) e pela assessora do Deputado Paulo Teixeira (PT/SP), que havia solicitado a audiência.
Na última assembléia anual da Rede de Cooperação Alternativa, realizada em São Paulo, em fevereiro, suas organizações membro decidiram alterar o nome da Rede, excluindo a referência ao Brasil, que remetia a sua origem. A Rede de Cooperação Alternativa, até então conhecida como RCA – Brasil, originou-se em 1996 de uma Rede de Aliança Latino Americana, congregando organizações apoiadas pela Rainforest Foundation da Noruega (RFN). Esta agência de cooperação incentivou a articulação das organizações que apoiava em diferentes países, com vistas a trocarem experiência entre si e difundirem seu trabalho. Em 1997 criou-se uma seção brasileira dessa rede, que em 2000 tornou-se independente, originando uma articulação nacional em torno da questão indígena, dos parceiros brasileiros da RFN. Essa articulação, formalizou-se como RCA-Brasil, que tem como missão promover a cooperação e troca de conhecimentos e experiências entre organizações indígenas e indigenistas, para fortalecer a autonomia e ampliar a sustentabilidade dos Povos Indígenas no Brasil. A partir desse ano, essa articulação assume o nome de Rede de Cooperação Alternativa – RCA, e conta agora com um novo logo reformulado.
As organizações membro da RCA enviaram carta ao Ministro de Estado da Educação, Fernando Haddad, cobrando o cumprimento de um Edital de 2009 da SECAD/FNDE/MEC, de apoio a projetos na área de educação escolar indígena. Até hoje os projetos aprovados, por uma comissão independente convocada pelo MEC, ainda que contratados pelo FNDE, não tiveram seus recursos liberados.
“O MEC lançou um edital em 2009 para organizações indígenas e indigenistas desenvolverem projetos inovadores em terras indígenas. Selecionou e aprovou um conjunto de projetos. Porém, até o momento, nenhum recurso foi disponibilizado por parte do FNDE. Já nos mobilizamos junto a SECAD e ao FNDE no ano passado, sem resultados. Então resolvemos agora escrever diretamente ao Ministro. Não tem cabimento o MEC lançar um edital público, realizar uma seleção, aprovar projetos, solicitar documentação, encaminhar contratos e depois de tudo isso, não liberar os recursos para que as atividades sejam desenvolvidas. E para piorar o quadro, não dar qualquer justificativa para tamanha demora”, explicou o antropólogo Luis Donisete Grupioni, secretário-executivo da RCA.
A Foirn, uma das organizações que tiveram projetos aprovados no âmbito deste edital, solicitou apoio de parlamentares federais, que visitaram São Gabriel da Cachoeira, para esclarecer o que está impedindo o FNDE de honrar os compromissos decorrentes deste Edital.
Leia a seguir a carta enviada ao Ministro da Educação.
Exmo. Sr.
Prof. Dr. Fernando Haddad
Ministro de Estado da Educação
Ministério da Educação
Esplanada dos Ministérios
Brasília, DF
Ofício 001/11 RCA
Prezado Senhor Ministro
Vimos pela presente solicitar sua atenção a uma situação que se arrasta desde dezembro de 2009 e que até o momento não encontrou solução e solicitar providências por parte do Ministério da Educação.
Em julho de 2009, o Ministério da Educação, por meio de sua Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, lançou o edital de convocação no. 13 (de 02/07/2009) com a finalidade de apoiar técnica e financeiramente ações de fomento de projetos de natureza inovadora, na área da educação básica intercultural indígena. Tal edital resultava de uma retomada de diálogo e parceria entre o Ministério da Educação e organizações da sociedade civil, indígenas e indigenistas, que desenvolvem projetos e ações na área da educação escolar indígena, em diferentes aldeias do território nacional.
Diferentes organizações indígenas e indigenistas apresentaram propostas a este edital e tiveram seus projetos selecionados por uma comissão de especialistas, especialmente constituída para tal finalidade. Uma vez publicados os aprovados, estas organizações indígenas e indigenistas foram contatadas pela SECAD com o objetivo de apresentarem a documentação exigida e realizarem o cadastramento de seus projetos junto ao FNDE. Desde então, todas elas têm respondido às demandas apresentadas pelo FNDE sem que, contudo, os projetos sejam empenhados e seus recursos liberados. Certidões têm sido apresentadas e, mais de uma vez, têm seus prazos de validade expirados sem que o FNDE termine o processo administrativo que permita a liberação dos recursos para o início dos projetos.
Projetos de formação continuada de professores indígenas, produção de materiais didáticos específicos em língua indígena e na língua nacional, oficinas lingüísticas, propostas pedagógicas e curriculares encontram-se paralisadas pelo fato de que até o presente momento, nenhuma proposta aprovada pelo edital de 2009 foi contratada pelo FNDE e teve seus recursos liberados por este órgão.
Em 11 de agosto de 2010, a RCA escreveu ao Sr. Daniel Silva Balaban, presidente do FNDE, com cópia para o Sr. José Henrique Paim Fernandes, Secretário-Executivo deste Ministério, e para o Sr. André Lázarro, Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, solicitando providências no sentido de resolver esse impasse, não tendo, porém, recebido resposta alguma.
Tal como afirmamos naquele momento, e reafirmamos aqui, a demora na liberação dos recursos necessários à continuidade de ações educacionais e de formação nas terras indígenas tem um impacto extremamente negativo em iniciativas já em curso, que se encontram paralisadas, em prejuízo evidente para as comunidades educativas que aguardam o início destas atividades.
Não entendemos como o Ministério da Educação lança um edital público, publicado no Diário Oficial, abre a perspectiva de financiamento para iniciativas educacionais em terras indígenas, recebe propostas, constitui comissão de avaliação independente, seleciona projetos, solicita a documentação para contratação, assina convênios e, interrompe tais procedimentos, ao não liberar os recursos financeiros necessários à execução das atividades propostas e aprovadas pelo Ministério.
Os recursos públicos investidos nesses procedimentos bem como o tempo e recursos disponibilizados pelas organizações indígenas e indigenistas que submeteram propostas a este edital esvaem-se diante da não efetivação das ações educacionais nas terras indígenas, prejudicadas pela persistente não liberação dos recursos por parte do FNDE. Somente no âmbito das organizações da RCA, foram 07 projetos aprovados, que deveriam ser executados em diferentes terras indígenas da Amazônia brasileira. A paralisação do FNDE causa, assim, prejuízo político e pedagógico a várias comunidades indígenas, e impõe questionamentos sobre o cumprimento das obrigações sócio-educativas junto aos povos indígenas por parte do Ministério da Educação.
Face ao que foi relatado, vimos pela presente, solicitar sua atenção e empenho no sentido de apurar o que está acontecendo no FNDE, impedindo a imediata contratação dos projetos aprovados e a conseqüente liberação dos recursos necessários à realização das ações e metas planejadas, em prol da melhoria da educação escolar indígena em nosso país e cumprindo com o que estabelecia o edital público n. 13 de 2009.
Ficamos na expectativa de que nossa solicitação encontrará acolhimento e resposta junto ao Senhor Ministro.
Atenciosamente
Rede de Cooperação Alternativa - RCA
C.C.
Presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE – MEC
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão
6ª. Câmara do Ministério Público Federal
Casa Civil da Presidência da República