07 dezembro 2010

Campanha Ycatu Xingu noticia início do intercâmbio da RCA

O site da campanha Y Icatu Xingu – Salve a água boa do Xingu (http://www.yikatuxingu.org.br/2010/10/17/parque-indigena-do-xingu-sedia-intercambio-de-povos-indigenas-realizado-pela-rca/) , noticiou em 17 de outubro, o início do intercâmbio da RCA ao Parque Indígena do Xingu. Leia a matéria reproduzida abaixo:

Parque Indígena do Xingu sedia intercâmbio de povos indígenas realizado pela RCA

O intercâmbio organizado pela Rede de Cooperação Alternativa (RCA), que reúne organizações indigenistas de todo o país, trata da gestão territorial de terras indígenas.

O Parque Indígena do Xingu (PIX), em Mato Grosso, é palco do intercâmbio da RCA (Rede de Cooperação Alternativa) este ano. Com o tema “O contexto regional e as estratégias de gestão territorial nas Terras Indígenas” o intercâmbio leva povos de diversas etnias da região Amazônica e representantes de organizações integrantes da RCA ao Xingu, para possibilitar a troca de experiências e de conhecimentos tradicionais, entre os dias 17 e 30 de outubro.

A gestão territorial das terras indígenas e a relação com o entorno é o assunto central do encontro. A primeira parada do grupo aconteceu em Canarana, MT, onde o Instituto Socioambiental (ISA), uma das instituições participantes da RCA, apresentou os trabalhos realizados no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu, que tem como missão a proteção e recuperação das nascentes e cabeceiras do Rio Xingu. O grupo fica até o dia 18 no município, visitando áreas que estão em processo de restauração florestal e os parceiros da Campanha. O intercâmbio está sendo organizado pelo ISA em parceria com a Associação Terra Indígena Xingu (ATIX).

O PIX foi escolhido para sediar o intercâmbio por ser uma região de Cerrado e Floresta Amazônica, que abriga 50 aldeias e 16 povos indígenas. Nas décadas de 1970 e 1980 o entorno do parque passou por um rápido processo de ocupação, principalmente para a implantação da agropecuária, que devastou parte da vegetação original.

Expectativas - Grande parte dos participantes do intercâmbio nunca esteve no Xingu e guarda grandes expectativas de conhecer o Parque. Pollyana Mendonça, do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), conta que participou do intercâmbio realizado pela RCA no ano passado, no Acre, e que espera aprender mais este ano. “Acho que essa experiência será ótima, pois iremos visitar vários lugares e poderemos ter um panorama geral do parque. Como o foco deste intercâmbio é a gestão do entorno, acho que a escolha do Xingu foi ótima, pois iremos conhecer as iniciativas que estão dando certo por aqui”.

O CTI atua na TI Vale do Javari, localizada na divisa entre Brasil e Peru, na Amazônia ocidental. Representantes de dois povos daquela região, Kanamari e Mayoruna, também participam do intercâmbio. “Eles também enfrentam problemas com o entorno, por isso é importante ver o diálogo que está acontecendo aqui”, Pollyana explica ainda que os povos da TI Vale do Javari enfrentam problemas com Invasões no território para caça e pesca ilegal e retirada de madeira.

Argemiro Teles Emupu, da etnia Arapasso, que fica na Ilha de Camanaus, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, diz estar ansioso para conhecer os costumes xinguanos. “Quero saber como eles vivem e se alimentam. É muito importante ver como esses povos estão vivendo aqui e recuperando essa área que foi alvo de tanto desmatamento no passado. É muito interessante ver como em tão pouco tempo conseguiram fazer tanta coisa”.

Pikuruk Kayabi, presidente da ATIX, afirma que os xinguanos estão satisfeitos com a oportunidade de receber e conhecer outros povos. “A visita dos parentes é importante para nós. Estamos mostrando o trabalho aqui no entorno. É importante que eles conheçam as conseqüências do desmatamento que sofremos aqui”.

Intercâmbios RCA -Os intercâmbios da RCA mobilizaram, nos últimos 10 anos, centenas de índios e assessores que tiveram a oportunidade de sair de suas terras e comunidades e conhecer outras realidades socioambientais, culturais e políticas. O intercambio como modelo de troca de informações entre povos diferenciados culturalmente e de tradição oral, tem se mostrado a forma mais rica e eficiente de apreender experiências diferenciadas sobre temas e questões que são comuns aos povos indígenas da Amazônia, na construção de processos de sustentabilidade territorial, ambiental, econômica e cultural.

Comentários - Por kulumaka Matipu/Xing | outubro 19, 2010 às 10:50 pm  - Hoje os grupos viajaram a região do sul do Parque Indígena do Xingu, onde encontrarão nove povos diferentes(” Kuikuro, Kalapalo, Nafukuá, Matipu, Kamayurá, Waurá, Mehinako, Aweti e Yawalapiti”). Às 16 horas, ATIX recebeu comentário pelo povo kuikuro, disseram que os grupos ainda não estiveram chegados. Sendo que são 6 (seis)horas de viagem para chegar no região do Alto Xingu (“sul do PIX”). O Filho do cacique Yawalapiti, Tapi, organiza o local para o intercâmbio da RCA para amanhã em aldeia yawalapiti. Cacique Manago recebe novidade durante a sua viagem a Cuiabá e, o Coordenador Técnico local da FUNAI, Kumaré Txição representará o cacique Manago para receber-los no intercâmbio da RCA no médio Xingu. Duas regiões do Parque Indígena do Xingu emocionam e continuam aguardando as visitas do RCA (região do Baixo Xingu ou do Leste). No final da Viagem, os grupos do RCA receberão os presentes pelo Comercio (“Xingu arte”) em Canarana-MT. Associação Terra Indígena Xingu, continuará acompanhando a viagem dos grupos da RCA até o fim da viagem. Associação Terra Indígena Xingu

06 dezembro 2010

Nota da RCA sobre a exoneração da Chefe de Educação da Funai

Os membros da Rede de Cooperação Alternativa – RCA Brasil vem a público lamentar a exoneração da educadora Maria Helena de Souza Fialho do cargo de Chefe do Departamento de Educação da Funai, publicada no Diário Oficial da União do último dia 03 de dezembro, em pleno apagar das luzes do governo Lula e em que nada ainda se sabe sobre a transição de comando na Funai.

Maria Helena Fialho conquistou, ao longo dos 10 anos de sua gestão a frente do Departamento de Educação da Funai, o respeito e o reconhecimento daqueles que acompanham as ações de educação escolar indígena no país por sua seriedade, compromisso e dedicação à melhoria da política educacional dirigida às comunidades indígenas. Interlocutora presente e atuante neste cenário, contribuiu ativamente para que inúmeras comunidades indígenas buscassem o cumprimento de seus direitos à uma educação escolar de qualidade, estando sempre ao lado dos professores e lideranças indígenas.

Maria Helena Fialho destacou-se na condução do Departamento de Educação da Funai ao conduzir o processo de redefinição do papel do órgão indigenista no campo da educação indígena, garantindo recursos e programas de apoio executados diretamente ou por meio das administrações regionais do órgão indigenista. Apoiou diversas iniciativas de formação de professores indígenas em nível médio e superior, de ingresso e permanência de estudantes indígenas nas universidades, de ações voltadas a crianças e jovens indígenas e garantiu, com sua equipe, a realização da I Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena. Manteve diálogo aberto e freqüente com organizações indígenas e indigenistas que atuam na educação indígena.

É lamentável que sua exoneração ocorra a menos de um mês do final do ano, conturbando a continuidade de ações as quais ela estava a frente, como articuladora e interlocutora, notadamente do processo de elaboração de novas diretrizes para a educação escolar indígena, por parte do MEC e da Funai; da finalização da avaliação independente do capítulo de educação indígena do Plano Nacional de Educação e das discussões para criação dos territórios etnoeducacionais em várias regiões do país.

Não houve até o momento, nenhum dirigente do Departamento de Educação da Funai que tenha alcançado a legitimidade e o respeito que Maria Helena Fialho adquiriu ao longo dos anos na interlocução com as comunidades indígenas e com parceiros indigenistas na busca de um melhor caminho para as práticas educacionais em terras indígenas. E é por esta razão que não compreendemos, neste cenário de transição da direção da Funai, o ato e motivos desta exoneração, que compromete o bom andamento da educação indígena no país.

Rede de Cooperação Alternativa – RCA Brasil